sexta-feira, 12 de março de 2010

SOBRE AMOR E LIDERANÇA

Texto de James C. Hunter: Como se tornar um líder servidor – os princípios de liderança de O Monge e o Executivo.

Capítulo 4 - Sobre liderança e amor

O que o amor tem a ver com isso? TINA TURNER

Quando decidi, muitos anos atrás, introduzir o conceito de “amor” em meus seminários para executivos, percebi o risco que estava correndo – especialmente com audiências masculinas. Em geral, eles acompanham interessados, mas basta falar em amor, os olhos parecem ficar vidrados, o queixo baixa para o peito e eles começam a arrastar os pés no carpete, num nervosismo evidente.
Estou convencido de que o desconforto que muitos sentem com a palavra amor é porque o amor é visto como um sentimento romântico. Mas a verdade é que posso amar o meu trabalho, meu cachorro, meus charutos, minha namorada e meu Camaro 68.
Desde que me sinta bem em relação a alguma coisa, posso dizer que a amo. O amor é sempre um sentimento positivo.
Vince Lombardi, o lendário treinador de futebol americano, comentou certa vez: “Não tenho necessariamente que gostar dos meus jogadores, mas, como ser humano, devo amá-los.”
Amar? Ei, espere um pouco... Lombardi não era o cara durão que adorava dizer: “Vencer não é tudo, é a única coisa”? Pouca gente sabe, mas ele tentou se distanciar dessa declaração. Chegou, inclusive, a dizer que “gostaria muito de não ter dito aquilo. Eu me referia ao esforço de marcar um ponto, não tinha a menor intenção de menosprezar a moral e os valores humanos”.
Lombardi compreendia muito bem a distinção entre o amor de sentimento (emoção) e o amar da vontade (decisão).
O amor emocional, com sua paixão, romantismo e impulsos afetuosos, é a linguagem e a expressão do amor, mas não é isso que é amor.
O amor devocional é a disposição de uma pessoa para ser atenciosa com as necessidades, os interesses e o bem-estar de outra, independentemente de como se sinta.
Um dos meus autores prediletos é o inglês C.S.Lewis, escritor, professor e defensor apaixonado do cristianismo. Ele escreveu: “Amar não significa se emocionar. É algo que sentimos em relação a nós mesmos e que devemos aprender a ter em relação às outras pessoas. Significa que desejamos [procuramos] nosso próprio bem.”
Mas e aquelas pessoas de que não gostamos? Esse é o tipo de desafio a que Vince Lombardi se referia quando declarou que ele e seus jogadores podiam não se gostar de vez em quando, mas ainda assim ele os incentivava a serem o melhor que pudessem. Para Vince, isso demonstrava quanto se importava com eles, com seu amor era implacável.
Como mencionei antes, amor é uma palavra usada com freqüência na Southwest Airlines. Herb Kelleher, fundados da empresa, disse uma ocasião: “Uma empresa é mais forte se é ligada pelo amor e não pelo medo.”
Como vou usar a palavra amor muitas vezes neste livro, quero deixar bem claro o que estou querendo dizer quando a uso. Não estou me referindo à maneira como nos sentimos em relação a outras pessoas nem sugerindo a violação das leis de assédio sexual.
Refiro-me ao modo como nos comportamos todos os dias.
Estamos mesmo interessados em ajudar as pessoas a crescerem e se tornarem o melhor que podem ser? Nós nos colocamos à disposição dos outros mesmo quando não sentimos vontade? Procuramos o bem maior das pessoas que lideramos?
Para os propósitos deste livro, o amor será definido como:
O ato de ser pôr à disposição dos outros, identificando e atendendo suas reais necessidades, sempre procurando o bem maior.
A interpretação apropriada de amor é: “Amor é o que o amor faz.”
NÃO ME DIGA ... MOSTRE
Há quase oito séculos, São Francisco de Assis pediu a seus seguidores que “pregassem o Evangelho em todas as ocasiões, mas só usassem palavras quando fosse necessário.”
Em meus tempos de solteiro, quando circulava com meus amigos por bares e outros lugares que provavelmente não deveríamos freqüentar, achava muito estranho quando um deles dizia, às três horas de madrugada: “Acho melhor eu voltar para casa e ficar com minha esposa. Amo aquela mulher.”
Lembro que pensava: “Você ama e fica bebendo até essa hora da madrugada com a turma?”
Outra coisa que me espantava era quando um amigo dizia que amava os filhos, mas não conseguia encontrar tempo para brincar com eles. Lembro-me de suas preleções sobre a importância da qualidade do tempo em vez da quantidade. Eu especulava: “O amor é o que o amor diz ou o que o amor faz?”
De volta aos anos sombrios de meu trabalho como consultor, quando lutava com sindicatos e trabalhava com empresas problemáticas, eu costumava apostar com meu sócio quanto tempo levaria para o presidente vir com o “discurso patrimônio.”
- Jim, você precisa saber de uma coisa muito importante. Nossos funcionários são o nosso maior patrimônio. Amamos nosso pessoal.
Sempre que ouvia o “discurso do patrimônio”, eu sentia vontade de dizer: “Devo confessar que cada vez fico mais impressionado com o que as pessoas fazem e não com o que dizem.”
Ralph Waldo Emerson resumiu de forma sucinta essa sensação: “O que você é grita tão alto em meus ouvidos que não posso ouvir o que está dizendo.”
AS QUALIDADES DE AMOR LIDERANÇA
Aproveitando que os participantes de meus seminários e workshops vêm dos mais variados segmentos, de operadores de máquinas industriais a estudantes, de trabalhadores braçais a médicos, de escoteiros a diretores das maiores empresas dos Estados Unidos, frequentemente peço que relacionem as qualidades de um grande líder. Gosto de conhecer a sabedoria do grupo em relação ao que mais importava quando se assumia a liderança.
A principio, fiquei surpreso ao descobrir que as listas citam quase sempre as mesmas qualidades: honestidade, respeito, firmeza, justiça, atenção, articulação, dedicação e previsibilidade.
Certa vez, compareci ao casamento de um grande amigo e ouvi um trecho bíblico 1 Coríntios 13, mais conhecido como “Passagem do amor”, muito usado em casamentos, inclusive no meu próprio. Mas desta vez foi diferente. Talvez o discípulo estivesse finalmente pronto. Eis o que o pastor disse: “O amor é paciente, o amor é gentil, não é pomposo ou arrogante (humilde), não age de maneira inconveniente (respeitoso), não procura seu próprio interesse (altruísta), não se regozija na injustiça, mas na verdade (honesto), suporta todas as coisas, nunca falta (dedicado).”

Um comentário:

ana kezia disse...

MUITO LEGAL ESSE TEXTO SOBRE AMOR E LIDERANÇA.
ACHO QUE TODOS DEVEM LER O MONGE E O EXECUTIVO, É ENCANTADOR ESSE LIVRO.